O viaduto da GO-020 e o que ele muda no trajeto
R$ 24 milhões, cem metros de estrutura e a duplicação de meio quilômetro da GO-536. Por que essa obra pesa mais para o eixo do que parece.
12 de agosto de 2026Alessandro Rangel

Obra viária costuma ser notícia chata. Esta não é, e vou explicar por quê.
O Governo de Goiás retomou, por meio da Goinfra, a construção do viaduto no cruzamento da GO-020 com a GO-536, entre Goiânia e Senador Canedo. O investimento declarado é de R$ 24 milhões, e a estrutura tem por volta de cem metros de extensão.
A estrutura de concreto do viaduto já foi concluída. O que resta é o entorno: a duplicação de um trecho de 500 metros da GO-536, a execução dos aterros reforçados de acesso e as alças de retorno. É a parte menos fotogênica da obra e, na prática, a que decide se ela vai funcionar.
Quem mora no eixo sabe exatamente onde dói. O cruzamento em nível concentra três fluxos que não combinam: o morador que sai de casa às sete da manhã, o caminhão que serve o cinturão industrial de Senador Canedo, e quem apenas atravessa a região indo para outro lugar. Um cruzamento com semáforo obriga os três a se revezarem. Um viaduto separa dois deles em altura, e o revezamento acaba.
O ganho concreto para o morador não é chegar mais rápido em Goiânia. É a previsibilidade. A diferença entre um trajeto que leva 22 minutos todo dia e um que leva de 18 a 40 conforme o dia é enorme na vida de quem tem filho em escola com horário. Cruzamento em nível é justamente o que produz essa variação.
Há um efeito de segunda ordem que interessa a quem compra pensando em revenda. Acesso viário resolvido é um dos poucos atributos de localização que não se degrada com o tempo. Paisagismo envelhece, portaria precisa de reforma, área de lazer sai de moda. Um viaduto que tirou o gargalo continua tendo tirado o gargalo em 2040. É o tipo de melhoria que entra no preço e fica.
Uma ressalva honesta, porque prometi que este site não venderia expectativa como fato: prazo de obra pública no Brasil muda. Esta em particular já passou por interrupção e nova licitação antes de ser retomada. O que se pode afirmar com segurança é o estágio atual, que é o descrito acima, e não a data em que o motorista vai passar por cima.
Quem estiver avaliando um lote nas quadras mais próximas desse cruzamento tem, aqui, um argumento legítimo de negociação. Enquanto a obra não conclui, o gargalo é real e pesa no preço. Depois que concluir, deixa de pesar. Comprar antes é assumir o risco do prazo em troca de um desconto; comprar depois é pagar pela certeza. As duas escolhas são defensáveis, e a única indefensável é fazê-la sem saber que está sendo feita.
